Entra em contacto
ESSATLA no VII Congresso dos Enfermeiros e I Fórum Académico de Enfermagem: quando a enfermagem se (re)encontrou... com o futuro

ESSATLA no VII Congresso dos Enfermeiros e I Fórum Académico de Enfermagem: quando a enfermagem se (re)encontrou… com o futuro

Opinião de Helena José, Presidente da ESSATLA

A 14, 15, e 16 de maio, durante estes três dias, o Multiusos de Gondomar deixou de ser apenas um espaço de congressos para ser um lugar de emoções, reencontros e esperança. O VII Congresso dos Enfermeiros e o I Fórum Académico de Enfermagem reuniu cerca de 7000 enfermeiros e mais de 1000 estudantes de Licenciatura em Enfermagem, mas aquilo que ali aconteceu foi muito maior do que estes números.

Logo à entrada sentia-se algo muito especial… uma alegria de reencontro e de propósito! Nos corredores cruzavam-se enfermeiros de diferentes gerações, estudantes ansiosos por aprender, professores, investigadores e profissionais vindos de todo o país e existiam abraços demorados, sorrisos e conversas que pareciam continuar histórias interrompidas há muito tempo. Durante aqueles dias, todos pareciam recordar-se do grande motivo que os levou a escolher esta profissão:  gostar de pessoas! sim, porque para se ser enfermeiro é preciso gostar de pessoas!

No seguimento do lema do ICN para 2026 “Enfermeiros Empoderados salvam vidas”, o lema do congresso “Afirmação e Responsabilidade”, transformou este momento num espaço de reflexão profunda sobre o presente e o futuro da enfermagem. Num tempo marcado pelo desgaste dos profissionais, pela falta de recursos e pela crescente complexidade dos cuidados, este encontro teve um significado especial, onde, mais do que discutir problemas, permitiu reencontrar esperança e orgulho na profissão.

O programa científico trouxe debates fundamentais sobre liderança, inovação, saúde mental, investigação e sustentabilidade dos sistemas de saúde, e falou-se de tecnologia, inteligência artificial, carreiras e políticas públicas. Mas, no fundo, aquilo que mais marcou não foi apenas o que aconteceu nos auditórios, foi o que aconteceu entre as sessões: as conversas espontâneas nos corredores, os testemunhos emocionados de quem continua diariamente a cuidar apesar do cansaço e os estudantes atentos, a ouvir enfermeiros experientes falarem sobre momentos vividos na vida profissional e que nunca se esquecem.

Havia verdade naquele (re)encontro. As sessões mostraram uma enfermagem altamente preparada e científica, mas sem nunca perder aquilo que a torna única: a humanidade. Sim, porque a enfermagem pode e deve evoluir tecnologicamente, mas continuará sempre a ser uma profissão feita de conhecimento, presença, empatia e relação humana.

Mas, talvez o momento mais simbólico tenha sido a realização, pela primeira vez, do I Fórum Académico de Enfermagem. Efetivamente, a presença de mais de 1000 estudantes trouxe uma energia diferente ao congresso; trouxe juventude, curiosidade e futuro. Muitos estudantes participavam, pela primeira vez, num evento nacional e isso via-se no brilho do olhar, na vontade de aprender e no orgulho de sentir que pertenciam à profissão e, por isso, mais do que assistir a palestras, os estudantes sentiram-se verdadeiramente integrados. Sentaram-se lado a lado com enfermeiros especialistas, gestores, investigadores e líderes da profissão e ouviram debates sobre políticas de saúde, liderança, humanização dos cuidados e desafios futuros da enfermagem. Este foi dos aspetos mais bonitos, o encontro entre diferentes gerações de enfermeiros, onde profissionais com décadas de experiência caminhavam ao lado de estudantes que ainda descobrem diariamente o significado da profissão, professores reencontravam antigos alunos agora especialistas ou gestores, e nesse cruzamento entre passado e futuro, percebeu-se que a enfermagem é feita de legado, de partilha e de continuidade.

Esta integração dos estudantes teve um significado muito profundo e mostrou isso mesmo; que o futuro da enfermagem começa antes da entrada no mercado de trabalho, e se inicia quando os estudantes sentem que a sua voz importa e que fazem parte da construção da profissão. Esta visão está profundamente ligada às orientações do Conselho Internacional de Enfermeiros, que alerta para a necessidade urgente de investir nas novas gerações, fortalecer a liderança e valorizar os profissionais, e Gondomar mostrou precisamente isso: uma enfermagem consciente de que o futuro não se improvisa — mas constrói-se todos os dias, através da formação, da partilha e da união entre gerações.

E, por isso, quando as luzes do Multiusos de Gondomar se apagaram, ficou um sentimento difícil de explicar, ficou a certeza de que a enfermagem portuguesa continua viva, forte, competente e profundamente humana.

A participação da Escola Superior de Saúde Atlântica teve, para nós, um significado muito especial. A presença de estudantes de Licenciatura e Mestrado em Enfermagem, acompanhados por vários docentes, mostrou uma escola comprometida com uma formação feita não apenas de conhecimento científico, mas também de proximidade, humanidade e compromisso com o cuidar. Ver os estudantes da ESSATLA envolvidos nas sessões, emocionados com muitas das partilhas e orgulhosos por fazerem parte daquele momento foi testemunhar algo simples, mas profundamente bonito: futuros enfermeiros a começarem verdadeiramente a sentir-se parte de uma profissão que continua, todos os dias, a mudar vidas e atuais enfermeiros, a guiarem-lhes o caminho. O meu, nosso, agradecimento ao Bastonário da Ordem dos Enfermeiros, Enfermeiro Luís Filipe Barreira, por ter tido a ousadia e o engenho de colocar “de pé” o maior e melhor evento alguma vez realizado na área da saúde, em Portugal!

Leave a Comment